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Fui recentemente convidado formalmente, para integrar na Galeria de Autores da Revista Argentina de Fotografia, uma colecção de trabalhos de um dos meus projectos.
A minha escolha recaiu sobre um dos exercícios mais demorados que tenho vindo a realizar, um levantamento sobre a "Linha do Sabor", extinta no pós 25 de Abril, devido à má e ruinosa gestão que a CP ali realizou, em tudo semelhante à que tem feito em todo o país.
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foto - LUIS RAPOSO
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Eram 105 Km de linha férrea que
desapareceram em toda a sua extensão.
Com o saque do ferro, e o abandono
dos edifícios, a pilhagem instalou-se ao longo da via… A vegetação tomou conta
do troço colectivo, quando não o fizeram os locais para aumentar um pouco de
terreno às suas propriedades, autarcas criativos que se apoderaram do traçado
serpenteante para construir ciclo vias inúteis, intempéries que fizeram desabar
taludes ou gargantas talhadas na rocha.
Os edifícios foram esventrados,
ruíram em alguns casos, ocupados por gentes que neles instalou armazéns
agrícolas ou rebanhos de ovelhas… Muitas pedras talhadas estão agora noutras
construções, modernaças, privadas, e de gosto duvidoso…
Quando nos movemos pelo Planalto
Transmontano e olhamos para o estado em que se encontra todo este património, não
é fácil ficar indiferente. È uma dor de alma, um nó no estômago, uma revolta
imensa; e este não é exemplo único daquilo que está a ser destruído em Portugal
em nome do “progresso”.
O comboio já não passa aqui…
Já não há bulício nas estações, não
há fumo nem o cheiro a hulha queimada pelas redondezas, não se sente o som das
locomotivas…
Restam-nos algumas fotografias para
imaginar a vida de uma linha morta.
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